Galera!
Ainda estou na India, em Rishkesh, finalizando a temporada dos trabalhos com o Prem Baba. Dia 23 de fevereiro sigo para Tailandia, um dia antes do meu visto indiano expirar. Realmente nao imaginava que ficaria aqui por tanto tempo! Mas isso que e gostoso em um viagem assim, estar livre para ir quando e onde quiser (claro, pagando uns adicionais de taxas e multas por mudar os bilhetes aereos ;) ).
Se eu tiver tempo escreverei na Tailandia, se nao, fica para o Brasil. Chego nas terrinhas tupiniquins dia 19 de marco. As saudades sao grandes!
beijao a todos os amigos e familiares,
Fla
Este ano eu completo 30 invernos (não são primaveras, pois nasci em julho). Os que já passaram por essa fase sabem que ela vem recheada de mudanças, tanto físicas (já me chamam de Tia ou Senhora na rua!!!), como comportamentais, e com isso vêm os questionamentos.
Após a miscelânea de emoções vividas nos últimos anos, resolvi tirar um tempo para mim. Quero vivenciar situações imprevistas e redescobrir a Flávia, que por vezes vinha se escorando em personagens circunstanciais.
Obtive a aprovação do meu pedido de licença sem vencimentos do trabalho, por um período de um ano. Só faltava isso para começar o meu planejamento de transformar minhas economias em passagens, albergues, museus, paisagens, espiritualidade, comidas, encontros e desencontros.
Dois mil e oito para mim vai ser o ano da cigarra! – Isso não é horóscopo Chinês, Maia ou Checheno; é o resgate da Fábula de La Fontaine (mais conhecida como Fábula da cigarra e da formiga), mas com uma inversão de sua moral: sim, paremos para cantar e apreciar a primavera, e desfrutemos o ócio!!!!!
Meu caminho
18 de fevereiro de 2009
News
13 de janeiro de 2009
Em construção...
Queridos,
Sei que estou sumida do blog, mas é que tenho passado por uma experiência muito intensa aqui em Rishikesh, onde não há muito espaço para esse mundo virtual. Estamos em plena atividade em um Asham, com a presença de um guru espiritual maravilhoso. Iríamos ficar apenas uma semana por aqui e resolvemos permanecer, pelo menos, um mês. Tem sido uma profunda viagem interior, de autoconhecimento. Sri Prem Baba é um ser de luz que está ensinando muito a nós, o que tem acarretado profundas mudanças internas. Entre elas, minha abertura para a espiritualidade, um lado sempre reprimido por minha mente racional e meu ceticismo. Hoje consigo ver que ciência e espiritualidade não são mutuamente excludentes. Aqui encontrei o amor em muitas formas de expressão. Estou feliz e, predominantemente, em paz, pois estar sendo constantemente desafiada a ressignificar as coisas mundanas e a mim mesma ainda gera alguma intranquilidade.
Volto a escrever quando der.
beijos a todos,
Namastê!
27 de dezembro de 2008
Festas!
Queridos amigos,
Vim aqui para desejar um Feliz Natal e uma ótima entrada de ano para vocês!
Ainda na Índia, meu Natal quase que passa desapercebido. Aqui não tem músicas de corais e imagens de Papai Noel, presépios ou luzinhas natalinas nas ruas. Apesar de existir uma porcentagem significativa de cristãos, o entorno da cultura hinduísta é tão predominante que quase que esquecemos que estávamos perto das festividades.
Porém, no fim, a minha experiência natalina não foi rodeada de um clima hinduísta, mas sim budista (apesar de Buddha também ser aceito no hinduísmo, como uma reencarnação de Vishnu). Estávamos em Bodhgaia, cidade no nordeste da Índia, onde Buddha atingiu sua iluminação. Local com uma energia muito forte, cheia de peregrinos vindo de diferentes países do mundo, principalmente da região do Tibet.
Lá, juntas com outros amigos, um alemão e outro escocês, saímos para um jantar de celebração e ate fizemos um corinho de músicas natalinas (vejam a última foto). Também fizemos nossas reverências ao menino Jesus (outro iluminado que passou por essa terra) e nos deliciamos com nosso prato vegetariano, especialidade da comida Tibetana! Muito bom!
Mesmo feliz e completa, dormi com muitas saudades dos amigos e, principalmente, da família: das músicas de Natal da Beti; do meu pai ansioso para abrir presentes parecendo uma criança; do almoço em Sorocaba; dos panetones da vó Macaca e assados do vô Bode; corujice da mamãe, das aparicões inesperadas do Leonel; das bebedeiras com primos, tios, irmanitas e cunhados... Tão gostoso! E só estar bem distante para valorizar 1000 vezes mais tudo isso!
Espero que as festas de vocês tenham sido também cheias de luz e alegria,
aproveitem esse período gostoso com as pessoas que amam que eu faço isso aqui com a Cacá!
muitos beijos,
Flávia
12 de dezembro de 2008
Viena, Bratislava, Budapeste
Ontem tive a oportunidade de acesso à internet e visitei meu, abandonado, blog. Vi que os relatos de Berlim estavam como o meu último post, experiências ocorridas no mês de setembro, mas que me parecem tão longínquas... Ainda mais porque agora estou na Ásia, vivenciando um ritmo e emoções completamente distintas daquele período na Europa. Tive, então, a noção de que seria muito difícil a atualização do blog, com relatos detalhados sobre as diversas localidades visitadas nesse ínterim. Por isso resolvi declarar minha incapacidade na manutenção desse espaço. Por alguns minutos pensei em aproveitar para abandoná-lo de vez, por não ter tido muito tempo ou inspiração para escrever. Mas por fim, resolvi tentar mais uma vez e optar por fazer apenas resumos sobre essas localidades anteriores. Então vão alguns...
Áustria: Viena
Da Alemanha segui para Viena, capital da Áustria. Lá fiquei apenas 3 dias, mas levei a impressão de uma cidade muito bonita, organizada, limpa, elitizada, porém cara e um pouco ¨careta¨ (talvez tenha visto dessa maneira porque acabara de chegar da alternativa e punk Berlim).
Viena é banhada pelo Rio Danúbio, mas o coração e centro histórico da cidade está dentro de um perímetro circular chamado Ringstraße, onde há uma grande quantidade de jardins, monumentos, palácios e outras construções grandiosas. Nesse centro também há uma área conhecida como zona internacional, onde estão as sedes e escritórios de organizações internacionais de nações unidas e grandes corporações. Tanto hoje, como no passado - quando era capital do antigo império Austríaco e Austro-húngaro -, Viena tem sido uma importante cidade no mapa político europeu.
Entretanto, a cidade é mesmo marcada por sua inclinação pelas artes, devido à presença de uma grande quantidade de museus (dizem que há mais de 100 museus de arte, além dos museus de história e de ciência!), conservatórios de música e teatros de ópera e música erudita. Infelizmente não tive tempo e dinheiro para ver um concerto de música clássica. Mas ao menos visitei alguns dos museus, como o de História Natural (MHN) e os museus de arte Albertina e Belvedere. Amei ter visto a coleção ornitológica do MHN, mas também fiquei sem fôlego ao contemplar as douradas obras ¨O beijo¨ e ¨Judith¨ de Gustav Klimt, o mais famoso pintor austríaco. Emocionante!
Um dos pontos fortes da minha visita a Viena foi as amizades que fiz na cidade. Por meio de um couchsurfer conheci um casal muito legal, a austríaca Julia e o italiano Stephano, que me acolheram em sua casa. Eles ainda promoveram um jantar para me apresentar a uns amigos e aos dotes culinários do meu anfitrião, que, honrando suas raízes, fez uma massa caseira deliciosa. De lá ainda saímos para a noite vienense. Nada muito empolgante, exceto as ótimas companhias.
Eslováquia: Bratislava
De Viena, peguei um trem à tarde para a vizinha Bratislava, capital da Eslováquia. Ela está a apenas 60 km de Viena e vale a visita. É uma cidade de aproximadamente 427.000 habitantes e tem um centro histórico muito gracioso e preservado, que, para uma idéia geral, pode até ser visitado em um dia. Por estar com o calendário apertado, reservei apenas uma noite e um dia para lá. Contudo, não tive muita sorte, pois caiu uma forte chuva no dia da minha visita. De qualquer maneira, em um momento de estiagem peguei o guarda-chuva e corri para o centro com outras duas brasileiras, que estavam no mesmo albergue, para darmos um giro pelos principais pontos turísticos. Jatos de água iam e vinham e depois de algumas horas caminhando, nossos molhados e frios pés nos conduziram a um aconchegante café. Lá passamos o resto da tarde papeando, escutando - acreditem! - bossa nova e, sem culpa, comendo bolos e tomando cremosos chocolates-quentes. De lá passei no albergue para buscar minha mochila e seguir para a estação ferroviária, onde pegaria um trem para Budapeste.
Hungria: Budapeste
Cheguei a Budapeste à noite e fui direto ao albergue. Ao chegar fui acomodada em um mezanino, onde já havia outro mochileiro. Nos apresentamos em inglês, mas em menos de 5 minutos já nos reconhecemos como brasileiros. Ângelo era um carioca ¨maneríííssimo¨ e, juntamente com Liza (australiana) e Fernando (mexicano), foi minha companhia enquanto estive na cidade.
Meu albergue ficava na área da antiga Peste, à leste do Rio Danúbio. Este rio outrora era a fronteira de três cidades que foram unificadas em 1873 para formar Budapeste: Peste, em uma margem, e Buda e Óbuda (Buda antiga), na outra. Apesar das chuvas intermitentes, circulei bastante na cidade e tive a oportunidade de visitar suas distintas regiões, sempre com meu guarda-chuva a tira-colo.
A cidade é muito linda e os dois lados me pareceram bastante interessantes. Buda fica em uma região montanhosa e florestada e abriga grande parte dos sítios históricos e de interesse turístico, como o distrito do Castelo, museus, antigas igrejas, o Fisherman, casas de banhos termais e outros prédios. Peste é uma área mais plana, que concentra as estruturas administrativas, políticas, comerciais, econômicas e culturais da cidade. Lá também há vários locais de interesse para visitação, porém mais espacialmente dispersos, como o prédio do Parlamento, a grande Sinagoga, a Praça dos Heróis, o Octogonal, vários museus, casas de banhos termais, mercados e outros. Há também a famosa Avenida Andrassy, onde se encontram belíssimos prédios antigos, famosos e anônimos, e de diferentes estilos arquitetônicos. Essa avenida, como também o distrito do Castelo, são sítios tombados pela UNESCO como Patrimônio Histórico Mundial da Humanidade.
Entre os locais visitados, destaco a visita que fiz ao Museu de Finas Artes, onde havia uma exposição fotográfica chamada body and soul, com obras de fotógrafos desde o início do século XX até de contemporâneos. Havia fotos artísticas em estúdio, mas também jornalísticas, com destaque àquelas fantásticas feitas por Robert Cappa, Henry Cartier Bresson e pelo brasileiríssimo Sebastião Salgado. Percebi como cada vez mais me atraio pela fotografia e gosto de observar exposições, tanto para apreciar o lirismo e a dramaticidade das cenas, como tentar analisar as técnicas utilizadas pelos autores.
Outra experiência bem legal foi minha visita a uma casa de banho de águas termais. Fui à noite ao Banho Széchenyi, que é um dos mais antigos de Budapeste e o maior da Europa. Lá há piscinas em ambientes interiores e exteriores, com diferentes temperaturas e distintas concentrações de elementos químicos nas águas medicinais. Passei várias horas, pulando de piscina em piscina, até os dedos ficarem extremamente enrugados. Foi um passeio muito prazeroso e relaxante, adorei!
Por fim, chamo a atenção para uma saída noturna num clube de jazz em Peste, onde tive o prazer de ver uma empolgante jam session, com excelentes músicos e ainda de graça! Saí com uma impressão que em Budapeste há ótimo espaço para a boa música, pela considerável quantidade de concertos de jazz que aconteciam na cidade e de canções brasileiras de samba e bossa-nova que escutei em bares e rádios locais!
Nos últimos dias em Budapeste comecei a pensar qual seria meu próximo destino. Depois de lá não tinha nada planejado, apenas sabia que teria que estar dia 02 de outubro em Milão, para encontrar meu pai e a Bety, que estariam de férias pela Europa. Depois de tanto estudar o mapa europeu e o calendário, optei pela Croácia. Já tinha escutado comentários positivos sobre a beleza e os custos do país, e sua localização conciliava com meus planos de entrar na Itália pela Eslovênia. Descobri que o Fernando também tinha planos de seguir para Zagreb, então decidimos ir juntos.






